Sessões Científicas

As apresentações, orais ou em poster, deverão enquadrar-se nas seguintes sessões científicas:

  1. Geoquímica dos processos endógenos, cosmogeoquímica e geocronologia
  2. Geoquímica dos processos hidrotermais
  3. Geoquímica orgânica e dos processos sedimentares
  4. Geoquímica dos processos de alteração, dos solos e dos processos biogeoquímicos
  5. Hidrogeoquímica
  6. Prospeção e cartografia geoquímica
  7. Geoquímica de jazidas minerais e de matérias-primas
  8. Geoquímica Ambiental, médica e forense
  9. Técnicas analíticas e de instrumentação e modelação geoquímica
  10. Património Geológico e mineiro e divulgação da geoquímica

Conferências Plenárias

Mineralização de Au-Pt-Pd e corrida ao ouro no Brasil

Alexandre Raphael Cabral (Universidade Federal de Minas Gerais)

Resumo: Minas Gerais e Serra Pelada foram sítios de grandes corridas ao ouro no Brasil. Iniciou-se a primeira a fins do século XVII para as terras altas que tornaram-se conhecidas como a província das Minas ‘Geraes’. A segunda corrida ocorreu no princípio da década de 1980 na região amazônica da província mineral de Carajás. Ambas tiveram suas corridas engendradas pelo ouro preto, que é ouro paladífero com razões Pd/Ag variáveis, cuja coloração enegrecida é dada por crosta de material goethítico, com ou sem hematita, mas contendo fase tipo PdO. Há evidência de enriquecimento metalífero resultante de sobreposição de fluído hidrotermal de baixa temperatura no Cretáceo Tardio (Serra Pelada) e no Cenozóico (Minas Gerais), e até mesmo formação de pepitas de Pt–Pd em sedimentos aluvionares – e.g., Córrego Bom Sucesso, Minas Gerais.

Nota biográfica: Alexandre Raphael Cabral, natural do Rio de Janeiro, Brasil, possui a graduação em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (janeiro/1993), mestrado em Metagénese pela Universidade Estadual de Campinas (dezembro/1996) e doutoramento em Geologia pela ‘Technische Universität Clausthal’ (TUC), Alemanha (maio/2003). Trabalhou como geólogo de exploração para empresas privadas. Trabalhou no projeto da DIVEX ancorado na ‘Université Laval’, Canadá, versando sobre depósitos cupríferos tipo sedimentar em Quebec (Apalaches). Foi pesquisador (‘Xstrata postdoctoral fellow’) na ‘Rhodes University’, África do Sul, e também na TUC e no ‘Karlsruher Institut für Technologie’ (KIT), Alemanha, atuando em geologia, mineralogia e geoquímica de depósitos metalíferos. Atualmente, encontra-se na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) como professor titular-livre em geologia económica.

 

O gás radão – fator de risco ambiental e contributo das geociências para a sua minimização

Alcides Pereira (Universidade de Coimbra)

Resumo: O gás radão tem vindo a ser considerado com um fator de risco ambiental para o homem, apresentando-se as razões que justificam esta classificação. Como gás radioativo o risco associa-se à exposição a radiações ionizantes, em particular à interação entre partículas altamente energéticas (alfa) e as células, em especial as que compõem o sistema pulmonar. A associação à cadeia de decaimento do U-238 implica que a distribuição do gás radão no sistema natural esteja primordialmente condicionada à do urânio nos materiais geológicos. Apresentam-se os mecanismos envolvidos na produção, emanação e migração do gás nas rochas e solos bem como na sua transferência para os espaços confinados.

O risco é avaliado através da comparação da dose efetiva por exposição às radiações ionizantes para diferentes fontes naturais e artificiais. O reconhecimento do risco associado ao radão pelas principais instituições ligadas à saúde (OMS, UNSCEAR, IARC, entre outras) conduziu à elaboração de legislação específica sobre o assunto, como a Diretiva comunitária 2013/59/Euratom que fixa as normas de segurança de base relativas à proteção contra os perigos resultantes da exposição a radiações ionizantes, aguardando-se, no presente, a sua transposição para a legislação nacional. Discutem-se as implicações da aplicação desta legislação em Portugal tendo em conta o conhecimento sobre a distribuição do gás radão nos materiais geológicos bem como em habitações. A análise integrada de dados geológicos, mineralógicos, geoquímicos e radiológicos será uma ferramenta fulcral no apoio à elaboração de mapas de potencial de risco de radão, a várias escalas, cumprindo assim um dos principais objetivos definidos no plano de ação anexo à atual diretiva em processo de transposição para a legislação nacional. Outras contribuições das geociências centram-se no apoio a projetos de construção de edifícios, na monitorização de obras de engenharia e na avaliação e seleção de materiais de construção que limitem a exposição às radiações ionizantes.

Nota biográfica: Alcides Pereira é Professor Associado com Agregação do Departamento de Ciências da Terra, da Universidade de Coimbra. Doutorou-se em Geologia em 1992, exercendo atividade de investigação no domínio da radioatividade natural, sendo presentemente Coordenador do Laboratório de Radioatividade Natural. Tem vindo a dar apoio ao programa de recuperação ambiental das antigas minas de minérios radioativos da responsabilidade do Estado. Publicou algumas dezenas de artigos em revistas especializadas. 

 

A geoquímica na resposta a questões colocadas na Cartografia Geológica de Angola

José Feliciano (Laboratório Nacional de Energia e Geologia) e Paulo Bravo (UTE – Instituto Geológico Minero de España, Laboratório Nacional de Energia e Geologia, Impulso Industrial Alternativo)

Resumo: O Plano Nacional de Geologia de Angola (PLANAGEO) é um dos maiores projectos da actualidade a nível mundial no que respeita ao conhecimento da infraestrutura geológica de um país. O concurso internacional foi lançado no início de 2011 e, após a selecção de candidatos, os trabalhos iniciaram-se no primeiro semestre de 2014 com uma campanha de geofísica aerotransportada (magnetometria e radiometria), seguida dos primeiros reconhecimentos de campo e preparação logística dos levantamentos geológicos. O Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG) é uma instituição pública de Investigação e Desenvolvimento, a qual inclui todas as actividades dos anteriores Serviços Geológicos de Portugal. É um dos membros do consórcio luso-espanhol (UTE – IGME/LNEG/Impulso Industrial Alternativo) que tendo sido seleccionado, opera no âmbito do PLANAGEO.

Um dos programas centrais do PLANAGEO consiste na cobertura total do país, com a Carta Geológica de Angola à escala 1:250 000. Colocou-se, portanto, a questão de decidir em que tarefas da realização da Cartografia Geológica é que a intervenção da Geoquímica seria determinante para o cumprimento de objectivos impostos pela publicação geológica e respectiva notícia explicativa. Esta pergunta é tanto mais pertinente quanto se trata de um projecto de cartografia a pequena escala, numa vastíssima área e de realização prevista num curto intervalo de tempo. A preparação dos trabalhos de cartografia geológica incluiu a elaboração de mapas geológicos preliminares e de campanhas de amostragem diversa, entre as quais a campanha de amostragem para geocronologia, geoquímica isotópica e análise química de rocha total (elementos maiores, menores e traço).

Nota biográfica: José Feliciano Rodrigues concluiu a Licenciatura em Geologia pela Universidade do Porto em 1989. É Doutorado em Geologia pela Universidade de Lisboa, na especialidade de Geodinâmica Interna, tendo obtido o respetivo grau académico em 2008. A sua carreira profissional tem sido desenvolvida em três áreas distintas: geólogo de prospeção no sector privado (prospeção de diamantes aluvionares na Província da Lunda Norte, Nordeste de Angola); Professor Auxiliar no Departamento de Engenharia de Minas da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (ensino de disciplinas das Geociências dirigidas a engenheiros de minas); e, sobretudo, em projetos de Cartografia Geológica elaborados no Laboratório Nacional de Geologia e Energia (LNEG), com trabalhos de levantamentos geológicos em Portugal, Angola e Peru. Atualmente, desempenha as funções de coordenador da equipa técnica do LNEG para o Plano Nacional de Geologia de Angola (PLANAGEO), sendo um dos coordenadores da Carta Geológica de Angola à escala 1:250.000, no âmbito do PLANAGEO. A sua principal atividade científica e interesses de investigação compreendem a geologia estrutural, tectónica e cartografia de regiões orogénicas.

Nota biográfica: Paulo Bravo Silva concluiu a Licenciatura em Geologia pela Universidade do Porto em 1988, e o Mestrado em Tecnologia e Gestão de Recursos Minerais, do Departamento de Engenharia de Minas da mesma Universidade, em 2000. É Doutorado em Geologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, desde 2014. Iniciou a sua atividade profissional como geólogo na extinta Empresa Carbonífera do Douro (Minas do Pejão), desempenhando funções nas áreas da Geologia, Prospeção e Geomecânica Mineiras. Além de algum serviço docente, prestado em instituições de ensino superior e escolas do ensino básico e secundário, a sua principal atividade profissional foi, sobretudo, exercida como geólogo no Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), onde desenvolveu estudos petrográficos, mineralógicos e geoquímicos. As principais áreas de atuação consistiram na mineralogia, geoquímica e petrogénese do plutonismo da Zona Centro-Ibérica e recursos minerais associados, em particular em rochas de filiação granítica e aplito-pegmatítica. Atualmente, é geólogo de campo e de gabinete no consórcio ibérico IGME/LNEG/IIA (União Temporária de Empresas), desenvolvendo a sua atividade fundamental na cartografia geológica de áreas do SW de Angola, no âmbito do PLANAGEO.

 

Hidrogeoquímica de águas naturais em regiões vulcânicas ativas: processos e fluxos
José Virgílio Cruz (Universidade dos Açores)

Resumo: As alterações nas massas de água de superfície e subterrâneas provocadas pela atividade vulcânica podem explicar as numerosas nascentes de águas minerais espalhadas em muitas regiões do globo terrestre, ou a ocorrência de lagos vulcânicos, em que a condensação de gases ou a mistura com águas minerais justifica a acumulação de fluidos muito ácidos. Nalguns destes lagos a ocorrência de episódios de desgaseificação súbita de CO2 provocaram muitas vítimas mortais, salientando a necessidade de proceder a rigorosos programas de vigilância. A influência vulcânica justifica, ainda, que nas zonas vulcânicas ativas, e em particular em regiões insulares, o transporte de solutos para os oceanos em resultado da meteorização química é elevada, assim como a fixação associada de CO2 atmosférico.

O presente trabalho apresenta casos de estudo relativos a cada um dos aspetos acima referidos, na sequência de investigações desenvolvidas ou em curso no arquipélago dos Açores. Os Açores são constituídos por nove ilhas de origem vulcânica, com uma área total de 2333 km2 e cerca de 245 283 habitantes (2016). Localizado nas proximidades da junção tripla entre as placas Americana, Africana e Euroasiática, o arquipélago é sede de uma intensa atividade sismovulcânica, sendo que após o povoamento no século XV ocorreram 28 erupções vulcânicas subaéreas ou submarinas, a última das entre os anos 1998 e 2000.

Nota biográfica: José Virgílio Cruz é Professor na Universidade dos Açores e investigador integrado do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos. No âmbito do trajeto académico tem como principais interesses de investigação as Ciências da Terra e do Ambiente, nomeadamente nos domínios da Hidrogeologia, da Hidrogeoquímica, da Gestão dos Recursos Hídricos e da Geologia do Ambiente, no âmbito dos quais participou em numerosos projetos de investigação, orientou dissertações de mestrado e de doutoramento e publicou em revistas da especialidade internacionais e nacionais com arbitragem científica. Coordenou os Planos de Gestão da Região Hidrográfica dos Açores (2009-2015 e 2016-2021), assim como a vertente de águas subterrâneas do Plano Regional da Água. É actualmente Associate Editor da revista Science of the Total Environment.

Entre dezembro de 2004 a dezembro de 2008 exerceu funções de Diretor Regional de Ordenamento do Território e dos Recursos Hídricos (Secretaria Regional do Ambiente e do Mar).

 

Avaliação geoquímica e propostas de remediação de sistemas aquáticos degradados por excesso de nutrientes e metais: casos de estudo nos PALOP

Rita Fonseca (Universidade de Évora)

Resumo: Os sedimentos depositados em meios aquáticos, mais frequentemente que os solos, são contaminados por múltiplos elementos e compostos químicos, tornando difíceis e complexas a avaliação dos riscos e as decisões sobre a sua gestão. A hidrodinâmica e a geoquímica dos ecossistemas aquáticos são também bastante diferentes das dos ecossistemas terrestres. Enquanto os solos e as águas subterrâneas podem frequentemente ser isolados dos receptores durante a remediação, abordagens semelhantes de isolamento ou remoção de sedimentos contaminados são de mais difícil implementação com sucesso.

Nesta palestra serão abordados dois tipos de problemas relacionados com a degradação de sistemas aquáticos: (1) o excesso de nutrientes provenientes maioritariamente da agricultura intensiva e da sobre-erosão dos solos das bacias de drenagem mas, também, do lançamento de efluentes domésticos e industriais e (2) a contaminação por metais pesados derivados das actividades mineiras e metalúrgicas. Para qualquer dos problemas serão apresentados diversos casos de estudo realizados em países de expressão portuguesa.

Nota biográfica: Rita Fonseca é licenciada em Geologia pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e doutorada pela Universidade de Évora em Geologia, na área da Geoquímica Ambiental.  É professora Auxiliar no Departamento de Geociências da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT) da Universidade de Évora, investigadora integrada no Instituto de Ciências da Terra (ICT) e responsável pela criação e coordenação do Laboratório de Biogeoquímica Ambiental – AmbiTerra. Há mais de duas décadas que se dedica ao estudo geoquímico, mineralógico e físico de sedimentos de albufeiras, com vista à avaliação da sua disponibilidade como recurso agrícola, tendo realizado estudos no Sul de Portugal e em outros países como o Brasil, Cabo Verde e República Dominicana, através de projetos de investigação e de consultoria financiados por instituições privadas, públicas e governamentais dos países onde os trabalhos foram efetuados. Outra área de atividade e de interesse científico consiste na caracterização e monitorização de ambientes degradados pela indústria mineira, e na proposta de metodologias adequadas à sua recuperação. Sendo responsável por um laboratório de biogeoquímica ambiental, uma das suas principais actividades reside na geoquímica analítica, onde tem montado e testado inúmeras metodologias de preparação de amostras geológicas e análise através espectrometria de emissão óptica com indução de plasma (ICP-OES) e análise elementar.